sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Futebol vai às urnas. À espera das apostas online

por Manuel QueirozOntemComentar
Jorge Sampaio, então Presidente da República, e Durão Barroso, primeiro-ministro da altura e a quem Manuel Vilarinho apoiou nas legislativas de 2002, na inauguração do novo estádio do Benfica, em 2003
Jorge Sampaio, então Presidente da República, e Durão Barroso, primeiro-ministro da altura e a quem Manuel Vilarinho apoiou nas legislativas de 2002, na inauguração do novo estádio do Benfica, em 2003 Fotografia © Jorge Amaral/Global Imagens
António Costa aproveitou ontem a entrevista ao Porto Canal para assegurar que também é a favor de haver várias licenças mas não quer dar verbas para o futebol.
Hoje, o futebol e a política encontram-se menos do que acontecia noutros tempos. Resolvidos os grandes problemas fiscais dos anos 80 e 90 e com a Federação como entidade rica e que recebe do Estado apenas cerca de 2% das suas receitas, estamos longe dos tempos em que a direção do Benfica se via na necessidade de apoiar um partido (PSD de Durão Barroso) nas eleições de 2002.
Hoje, a contenda pode ser a das apostas desportivas online, que o governo PSD-CDS finalmente verteu em lei que deve ser ainda regulamentada pelo próximo governo, seja ele qual for. De resto, os programas dos partidos não entusiasmam muita gente. Henrique Calisto, treinador, ex-militante do PS expulso por apoiar Guilherme Pinto nas últimas eleições autárquicas em Matosinhos, à espera de poder reentrar no partido em que militou desde 1980, diz que o desporto "é subvalorizado por todos os partidos e nos programas é só vulgaridades". Diz que "o desporto é visto como um luxo, mas é um direito" e sublinha o valor económico do setor. E avança que o Instituto Nacional de Estatística está a fazer um estudo. Apesar das sondagens, acha que o PS "vai ganhar" porque a coligação já não tem margem de crescimento "porque há muito descontentamento" e o PS ainda tem.
António Regala, que foi presidente do Beira-Mar em 2009 e é militante do PCP, ele que esteve ligado ao Congresso Democrático em Aveiro em 1973, não encontra nada de bom no governo ainda em funções. Foi para a frente do Beira-Mar com mais quatro elementos numa comissão administrativa, quando havia quatro meses de salários em atraso e ninguém aceitava o lugar. "Tivemos um azar: subimos à I Liga! E a partir daí os credores, que eram os antigos dirigentes, começaram a exigir tudo, quando tinham dito que nunca poriam em causa o clube. E, analisando friamente, o facto de ser do PC ajudou a que fosse mais atacado e que o clube não fosse preservado. Hoje, o Beira-Mar está a acabar", diz Regala. Não deixa de dizer que o futebol se insere num sistema capitalista "e tem de ser assim, tem de haver empresas e têm de lucrar, embora muitas vezes não seja assim, porque há outro tipo de negócios em que as empresas ficam com pouco desse valor".
É sempre o mesmo problema - conseguir dinheiro para os clubes. "O futebol e o desporto em geral precisam de novas receitas como de pão para a boca e as apostas desportivas online podem trazer essas verbas." A frase é de Hermínio Loureiro, antigo secretário de Estado do Desporto, presidente da Câmara de Oliveira de Azeméis e ainda vice-presidente da Federação Portuguesa de Futebol.
Neste momento em Portugal as grandes casas internacionais não aceitam apostas online, porque a lei que saiu em abril ainda não está regulamentada, embora algumas casas mais pequenas entendam que só quando for entregue a primeira licença é que haverá mesmo proibição das que não a tiverem e continuem a permitir o jogo. Uma delas, portuguesa inicialmente, dizia-se até ser propriedade de um dirigente de um clube médio português.

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