"Quem é esse? É jogador de futebol?", perguntou um curioso à reportagem, de olho no bolo de repórteres que se formava em torno de um atleta com camisa estampada pela bandeira do Brasil. O "futebolista" em questão era Marcelinho Huertas, 28 anos, armador do Barcelona-ESP e astro da Seleção de basquete que conquistou vaga nos Jogos Olímpicos após 16 anos. A façanha fez com que os atletas vivessem dia de estrelas nesta segunda- feira, durante desembarque no Aeroporto de Guarulhos.
"Nunca vi tanta gente assim aqui, fiquei até assustado quando saí do saguão de desembarque", espantou-se o próprio Huertas, cercado por cerca de 30 jornalistas e câmeras, que se acotovelavam para conseguir uma palavra do jogador. Ele ainda arregalou os olhos quando reparou que outras duas dúzias de membros da imprensa o aguardavam mais à frente.
De fato, a Seleção Brasileira de basquete viveu um dia atípico. Normalmente, os desembarques são calmos e com a presença de pouca gente, já que o esporte não é tão popular no País quanto o futebol. Entretanto, o feito rendeu ao grupo status de estrelas, especialmente porque eles quebraram o jejum de quase 16 anos sem vaga olímpica - a última vez foi em Atlanta 1996. Na ocasião, o time era formado por Oscar Schmidt, Pipoka, Ratto, Demétrius, Janjão, entre outros.
"Acredito que criamos uma febre com essa conquista. É o resultado do ótimo trabalho feito pelo Magnano, que ajudou o povo brasileiro a recuperar a vontade de apoiar o nosso basquete", definiu Marcelinho Huertas, um dos mais assediados do desembarque. O Brasil, dirigido pelo argentino Rubén Magnano, foi vice-campeão do Sul-Americano, mas conseguiu de forma heroica uma das vagas do continente no torneio olímpico.
Outros que estiveram no Aeroporto de Guarulhos foram Alex, Marquinhos, Giovannoni, Rafael Hettsheimer e Tiago Splitter, os dois últimos bastante requisitados pelos presentes. O primeiro, por ter sido uma das revelações da competição principalmente pela sua atuação na vitória por 73 a 71 contra a Argentina, em Mar Del Plata. O outro, por ser o único do elenco brasileiro na NBA, já que Nenê, Leandrinho e Varejão pediram dispensa. Tiago atua no San Antonio Spurs.
"Não estamos acostumados com isso mesmo aqui no Brasil", disse Splitter, ao lado de um animado Hettsheimer. "Acho que isso é mérito e reflexo do trabalho feito pelo grupo. Eles merecem essa atenção pela campanha que fizeram e pelo desempenho que tiveram na Argentina", definiu.
Em contrapartida, apesar da presença maciça da imprensa, o número de torcedores que compareceu para parabenizar a Seleção foi bem baixo - entre muitos curiosos, apenas dois garotos, os irmãos Jonathas e Daniel Waldhelm, de 21 e 18 anos, marcaram presença no local com uma bandeira do Brasil. "Demoramos duas horas para chegar aqui, de metrô e ônibus, só para ver os jogadores e parabenizá-los pela conquista", disseram, justificando: "somos fãs de basquete".
Agora, com a presença do basquete brasileiro garantida em Londres, a expectativa é que o apelo popular por esse esporte cresça no País, que visa não apenas os Jogos de 2012, mas também os de 2016, no Rio de Janeiro. E, até lá, se esse grupo der ainda mais alegrias com resultados, o torcedor "desinformado" do início da história com certeza aprenderá quem são os astros. Eles são jogadores de basquete... do basquete brasileiro.
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